
Durante muito tempo, os benefícios corporativos se concentraram em saúde, alimentação, seguros e previdência. Agora, a educação começa a ocupar um espaço maior nessa estratégia, principalmente diante das mudanças nas competências exigidas pelo mercado de trabalho.
Dados transacionais divulgados recentemente pelo iFood Benefícios apontam crescimento superior a 72% no número de colaboradores que utilizam ativamente a categoria Educação. O movimento acontece justamente em um cenário de avanço da inteligência artificial, automação e transformação digital, que aumentam a necessidade de atualização profissional.
Para as empresas, esse cenário traz uma questão importante: o benefício educação pode deixar de ser apenas um diferencial no pacote oferecido aos colaboradores e se tornar uma ferramenta estratégica para desenvolver e reter talentos?
A resposta passa por entender como esse benefício funciona e, principalmente, como conectá-lo às necessidades reais do negócio.
O benefício educação reúne diferentes formas de apoio da empresa ao desenvolvimento acadêmico ou profissional dos colaboradores.
Dependendo da política adotada, a organização pode oferecer auxílio para cursos, graduação, pós-graduação, idiomas, certificações, livros, plataformas de aprendizagem ou outras iniciativas de capacitação.
Além disso, o benefício não precisa seguir um único modelo. Algumas empresas oferecem um valor mensal ou anual para que o funcionário escolha onde utilizar o recurso. Outras estabelecem uma lista de cursos ou instituições elegíveis.
Essa flexibilidade permite atender diferentes perfis de profissionais. Enquanto um colaborador pode buscar uma certificação técnica, outro pode preferir estudar um idioma ou fazer uma especialização.
O ponto central, portanto, não está apenas em oferecer dinheiro para estudar. A empresa precisa entender quais competências deseja desenvolver e como o benefício pode contribuir para esse objetivo.
A transformação tecnológica mudou a velocidade com que determinadas competências se tornam necessárias.
A inteligência artificial é um dos exemplos mais evidentes. Ferramentas capazes de automatizar tarefas, analisar informações e produzir conteúdos já fazem parte da rotina de diferentes áreas. Como resultado, profissionais precisam aprender a trabalhar com essas tecnologias e desenvolver novas habilidades.
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 59% da força de trabalho mundial precisará passar por processos de qualificação ou requalificação até 2030. O mesmo relatório aponta a lacuna de competências como uma das principais barreiras para a transformação dos negócios.
Nesse cenário, as empresas enfrentam duas possibilidades.
A primeira é buscar continuamente profissionais no mercado que já possuam as competências necessárias. A segunda é desenvolver parte dessas habilidades dentro da própria organização.
O benefício educação pode contribuir justamente para essa segunda estratégia.
Uma empresa que identifica a necessidade de ampliar conhecimentos em inteligência artificial, análise de dados ou novas ferramentas digitais, por exemplo, pode criar incentivos para que seus próprios colaboradores desenvolvam essas competências.
Assim, o investimento beneficia tanto o profissional quanto a organização.
Salário continua sendo um fator importante na relação entre empresa e colaborador. No entanto, a experiência profissional envolve outros elementos, como possibilidades de crescimento, aprendizado e desenvolvimento de carreira.
Nesse contexto, o benefício educação pode aumentar a percepção de valor do pacote oferecido pela empresa.
Imagine um profissional que deseja fazer uma pós-graduação relacionada à sua área, mas não possui recursos suficientes para assumir sozinho o investimento. Um programa de auxílio educacional pode reduzir essa barreira e, ao mesmo tempo, mostrar que a organização reconhece o potencial de desenvolvimento daquele funcionário.
Além disso, o benefício pode criar uma relação mais clara entre aprendizado e carreira.
Se a empresa oferece apoio para uma certificação e depois cria oportunidades para que o profissional aplique aquele conhecimento, o investimento deixa de representar apenas uma vantagem financeira.
Ele passa a fazer parte da trajetória profissional.
Essa conexão é importante porque oferecer um benefício não garante, por si só, maior retenção. A empresa precisa criar condições para que o colaborador perceba valor real na oportunidade.
A dificuldade para encontrar profissionais qualificados tornou o desenvolvimento interno ainda mais relevante.
Segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, 80% dos empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias. Entre as estratégias utilizadas pelas empresas brasileiras para enfrentar esse cenário, 44% apontam o upskilling e o reskilling dos atuais colaboradores.
Isso ajuda a explicar por que educação e benefícios começam a se aproximar.
Em vez de depender exclusivamente da contratação externa, uma empresa pode identificar profissionais com potencial e oferecer condições para que eles desenvolvam novas competências.
Imagine, por exemplo, uma empresa que precisa ampliar sua capacidade de análise de dados. Em vez de procurar exclusivamente novos analistas no mercado, ela pode identificar colaboradores de áreas próximas e oferecer formação complementar.
O profissional ganha uma nova possibilidade de carreira. A empresa, por sua vez, aproveita alguém que já conhece sua cultura, seus processos e seus clientes.
Esse movimento pode fortalecer também a mobilidade interna e a formação de sucessores.
Oferecer cursos de maneira aleatória dificilmente garante retorno para a organização.
Antes de criar uma política de benefício educação, o RH precisa entender quais competências serão importantes para o negócio e quais necessidades os colaboradores apresentam.
Uma empresa em processo de transformação digital, por exemplo, pode priorizar cursos relacionados a tecnologia, dados e inteligência artificial. Já uma organização que pretende expandir sua atuação internacional pode incentivar idiomas e formação em negócios globais.
Essa conexão ajuda a transformar o benefício em uma ferramenta de desenvolvimento.
A própria discussão sobre educação corporativa aponta para essa necessidade. Em entrevista à Folha de S.Paulo, especialistas destacaram que programas de educação corporativa precisam considerar as necessidades específicas das empresas e tratar a aprendizagem como uma alavanca de crescimento, e não apenas como mais um benefício.
Portanto, o primeiro passo não deveria ser perguntar "qual curso vamos oferecer?"
A pergunta mais estratégica é:
"quais competências nossa empresa precisará desenvolver nos próximos anos?"
Depois de identificar as necessidades, a empresa precisa definir como o programa funcionará.
Uma política bem estruturada pode estabelecer critérios de elegibilidade, limite de investimento, tipos de cursos aceitos e regras para utilização do benefício.
Também é possível combinar diferentes formatos.
Um colaborador pode utilizar o recurso para uma pós-graduação, enquanto outro prefere uma certificação profissional ou cursos de curta duração.
Essa flexibilidade ganhou força com o chamado microlearning, baseado em conteúdos mais curtos e específicos. Os dados do iFood Benefícios mostram que cerca de 80% dos usuários da categoria Educação realizam uma única transação por mês, enquanto aproximadamente 20% fazem múltiplas transações, combinando diferentes formatos de aprendizagem.
Isso mostra que o desenvolvimento profissional não precisa acontecer exclusivamente por meio de cursos longos.
Livros, certificações, plataformas digitais e especializações de curta duração também podem fazer parte da jornada.
O crescimento da utilização é um indicador interessante, mas não basta para avaliar o sucesso de uma política.
A empresa precisa acompanhar o que acontece depois do investimento.
Entre os indicadores possíveis estão:
Por exemplo, se uma empresa subsidia certificações em determinada tecnologia, pode acompanhar quantos profissionais concluíram a formação e quantos passaram a utilizar aquela competência em suas funções.
Dessa maneira, o RH consegue avaliar se o benefício realmente contribui para os objetivos da organização.
Também é importante evitar conclusões automáticas. Um aumento na utilização do benefício não significa, sozinho, que a empresa terá maior produtividade ou retenção. Esses resultados dependem de outros fatores e precisam ser analisados dentro do contexto de cada organização.
Plano de saúde, alimentação, seguros e previdência continuam importantes para a atração e retenção de profissionais. Entretanto, o conceito de benefício corporativo está se ampliando.
Educação, bem-estar, flexibilidade e desenvolvimento profissional começam a ocupar espaços maiores porque respondem a necessidades que vão além da remuneração.
Para o RH, essa transformação traz uma oportunidade: construir um pacote de benefícios mais alinhado ao perfil dos colaboradores e, ao mesmo tempo, conectado aos objetivos estratégicos da empresa.
No caso da educação, o ganho potencial é ainda mais amplo.
Ao investir no desenvolvimento das pessoas, a empresa pode fortalecer tanto a experiência do colaborador quanto às competências necessárias para enfrentar as transformações do mercado.
A JCL pode ajudar empresas a avaliar suas estratégias de benefícios e identificar soluções alinhadas às necessidades dos colaboradores e aos objetivos do negócio. Entre em contato com nossa equipe para conhecer as possibilidades.